Sol no inverno



Um dia de inverno ensolarado mas frio , onde a luz intensa me faz semicerrar os olhos na tentativa de olhar mais além de mim e de ti, olhar para alem de nós envolvidos por estes afetos inimagináveis de existir entre dois jovens sexagenários .

São sentimentos que nos aceleram o coração num ritmo delicioso e belo quando nossos pensamentos se atrevem a voar para lá das distancias e como dois jovens sonhamos o dia de amanhã.

Fechei os olhos nesse instante para estar contigo a sós, no meu pensamento, para ouvir os som das tuas palavras encostada ao teu peito e pedir a Deus que me deixe viver para amar a vida que te pertence por que sem ela já não saberei viver.


O sol brilha mais, neste momento

Janela



Quanto tempo ausente desta janela. Que saudade ao ver-me aqui diante dela, deste parapeito, lugar imaginário, onde espreito o mundo e me perco em lugares que só existem nos meus sonhos.

O Sol delirante, entrou no meu recanto, veio doido de saudade pelo tempo que estive ausente e em jeito de caricias aqueceu-me até me deixar relaxada, para conversar.

Não foi por esquecimento que me ausentei, nem por falta de tempo para sonhar, mas porque o meu coração se apaixonou e eu tive que dar-lhe todo o tempo que ele precisava, pois foi complicada a luta entre mim e eu.

Foi difícil aceitar que aos 60 anos poderia amar e ser amada , que poderia ser capaz de fazer e ser tanta coisa que julguei ter perdido , que a vida voltaria a ter cores iguais às da primavera e que é bom sonhar com o amanhã.

ELVAS , CIDADE DA MINHA PAIXÃO


Acordei e olhei o dia que me espreitava lá na janela onde a brisa noturna entrara para refrescar a minha noite.

Ainda era cedo e deixei-me ficar envolvida em pensamentos , fruto de vivencias do dia a dia, de comportamentos interesseiros que ora dizem mal até a desonra, ora passam a bajular ao ouvir uma qualquer promessa. Tal qual como se abana um naco de carne fresca a um cão, para que ele fique dócil e domável.



Vieram-me aos ouvidos excertos de algumas passagens, que nesta altura se transformaram em completas manifestações de adoração e submissão ao que antes foram criticas despudoradamente maldosas.



Memória curta ? Dividas de favores passados ? Rabos presos ?

O que seja, mas que num acenar de mão, mudaram de opinião a favor do que não se concordava.



Pesadelo que não tenho, e a minha consciência deixa-me adormecer tranquila e acordar descansada, mas faz-me pensar, na pobreza de mentalidades que andam por aí e que a troco de nadas e deixam convencer por falsas promessas.

Deslumbrante


Acordei meio estonteada pelo muito que dormi neste tempo em que me ausentei da janela onde os tantos acontecimentos se inventaram tantos palcos se montaram e desmontaram e eu não vi as senas se desenrolarem, não critiquei nem aplaudi



Apática e distante daquele frenesim que me sobressalta os sonhos aventureiros que me arrastam para lugares inimagináveis, tão fantásticos e quase tão riais no meu imaginário , encostei a

cabeça à vidraça e senti um frio queimar-me a pele e afastei-me, meus dedos experimentaram rascunhos no vidro embaciado pelo meu hálito, enquanto espreito ao mesmo tempo que passou para la da minha janela durante a minha ausência .



O dia está cinzento , cheio de nuvens carregadas de negrura que de vez em quando descarregavam tanta água transformando a estrada diante da minha janela parecer riacho com grandes levadas pondo os carros estacionados em perigo.



De vez em quando o céu é rasgado por um relâmpago seguido de outro que arrasta consigo um rugido distante enquanto a chuva vai caindo e o vento sopra mais forte . Não sei quanto tempo fiquei ali olhando aquele quadro de cores cinzentas, onde tudo se movia

a pomba

Hoje obriguei-me a escrever qualquer coisa, que me acorde para a vida e me faça ir até há minha janela, sair desta espécie de apatia onde me escondo até sentir pena de mim.

Sacudi a manta onde me enrolei e espreitei para la da chuva num céu cinzento de inverno onde as temperaturas frias nos fazem doer até aos ossos. Aconcheguei-me no casaco de malha quentinho e encostei-me, embaciando as vidro com o vapor quente da minha respiração, com o dedo desenhei um coração e atravessei-o com uma seta e fiquei ali olhando aquele desenho meio naífe a despenhar-se lentamente ate ao parapeito da janela.

A chuva tornou-se mais intensa , os pingos pareciam pedras a bater contra as vidraças, de vez enquanto um rugido vindo de longe soava pelos ares até aos meus ouvidos, quando uma pomba veio abrigar-se no beiral da minha janela. Ela olhava para mim, mas perante o meu ar estático, não se assustou e eu sorri para ela e para mim.

Uma pomba é símbolo de paz , talvez a paz que eu precisava, mesmo em tempo de intensas trovoadas e de chuva, escancarar a minha janela, e gritar o que me alegre, o que me entristece e o que me diverte.
O chuva parou, a pomba sacudiu as asas olhou para mim, rodando a cabeça, como as aves fazem, e ao ver a minha cara rasgar um sorriso voo .

E eu fiquei a pensar

A minha opinião


William Shakespeare escreveu a seguinte frase :”Lamentar uma dor no passado é criar outra dor e sofrer novamente”.

E li um artigo sobre as mulheres que se bloqueiam depois de ser abandonadas pelo parceiro e se vivem lamentando o tempo todo. Usando citações de pensadores, escritores e também alguns estudiosos e  não concordo.

É difícil deixar de lamentar, quando se investem sentimentos para a vida e depois veem-se despedaçados e tratados como se fossem lixo pelo parceiro.

Eu fechei o meu coração e não lhe dei qualquer oportunidade de amar novamente, sem perceber que o fazia , talvez porque as feridas que ficaram nos sentimentos sangravam tanto que não havia qualquer hipótese de olhar para outros lados que não fosse para mim mesma, pois há que perceber que nem todo o luto é feito da mesma maneira nem com a mesma facilidade.

Eu demorei a resolver essa questão comigo mesma , pois vivi entra a raiva de ter sido enganada e a frustração de ver os sonhos e os projetos para uma vida deitados para o lixo. Fui ao chão derrubada por um sofrimento inexplicável que me levou ao limite e perder referencias nesse labirinto de lamentações e porquês?.

Sozinha e sem família a quem me apoiar, quase que entrei na bolha e cometi suicídio. É fácil opinar, mesmo que sejam técnicos da ária da saúde mental a fazê-lo, é fácil dizer que quem é abandonado vive se lamentando o tempo todo.

Eu estou aqui a discutir com esta ferverozidade, depois de ultrapassar muitas barreiras, muitos constrangimentos, muitas lutas em que quase desisti, mas que saí vencedora, mas ainda não superei a rejeição, que e na opinião da escritora Tati Bernardi: "Mas chega, se não houve troca, chega, porque amar sozinho é solitário demais, abandono demais, e você está nessa vida para evoluir, mas não para sofrer".

Eu era uma mulher tímida mas muito crédula, agora sinto muita dificuldade em acreditar em algo mas em relação ao homem é pior. As vezes chego a recriminar-me pela minha falta de confiança e de oportunidade quando sou abordada por algum homem, chego a ser cruel ao fazer juízos de valores comparando o que é incomparável, porque ainda sinto aquele frio no estômago quando lembro da violência verbal e da chantagem psicológica  e do terrorismo com que fui violentada.

E como o teólogo Henri Nouwen escreveu no seu livro Pão para o Caminho "Às vezes temos que 'passar por cima' de nossa raiva, nosso ciúme ou nossos sentimentos de rejeição e seguir adiante... Talvez seja uma boa ideia dar uma olhada nesses sentimentos obscuros e tentar descobrir de onde vêm. Mas então chega o momento de passar por eles, deixá-los para trás e seguir adiante em nossa viagem".

Não houve ódios, nem ciumes, nem outros sentimentos, porque eu não discernia sobre os sentimentos, apenas um vazio , uma queda a pique em direção ao nada , cega pela escuridão em que foram os meus dias.



Os pensamentos de William Shakespeare, ou de Tati Bernardi , e também do teólogo Henri Nouwen, são apenas palavras , não são experiências de quem viveu a tragédia de ver a vida desfeita e desmoronar e por isso discordo